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A fé realmente conforta?

Na Doutrina Espírita se diz que fé é a chamada ‘raciocinada’. Mas o que seria o significado de “fé raciocinada”?

A fé é um sentimento, não uma palavra, ou seja, a fé não se tem, se sente.

Quando “se tem fé”, ela é frágil, pois foi imposta de fora, como um automatismo, um mantra citado muitas e muitas vezes.

A fé, muitas vezes é incutida em nossos pensamentos pela sociedade de maneira geral (pais, colegas, religiões…) como um dever, um padrão, para seguir a corrente ou, em situações mais ortodoxas, imposta pela ameaça e o medo das consequências de se professar sem fé.

O ser humano, de maneira inata, sente em seu íntimo que há algo além dos seus cinco sentidos e das três dimensões visíveis desde as suas primeiras manifestações no planeta, independentemente do que foi chamada durante as eras, essa ‘sensação’ de uma maneira ou de outra permaneceu.

Esse ‘algo’ o impulsionou a crenças que foram desenvolvendo e evoluindo, sendo que a essência do tema sempre foi a fé nesse ‘algo’. Pois bem, nesse ponto, tem-se que existem duas vertentes do tema: primeira, a fé cega, aquela que se declara da boca para fora, porque nos foi ensinado assim e, apenas repetimos, visto que não foi questionada até sua aceitação real com a respectiva assimilação; a segunda, a chamada fé raciocinada, é aquela em que se questionou, se informou, debateu, refletiu e, acima de tudo, se vivenciou, para sua total e inquestionável assimilação e interiorização, transformando, conceito, teoria, naquilo que é em essência.

Essa fé é inabalável e a prova de quaisquer acontecimentos externos, pois sente-se em seu íntimo a tranquilidade e a certeza de que, por pior que o momento possa parecer, este não é fortuito e trará aprendizados.

Essa verdadeira fé se alcança sendo sinceros conosco mesmos e admitindo nossa pequenez diante de uma engrenagem perfeita e, ao mesmo tempo, não nos entregando a um pseudofatalismo, não nos omitindo quando somos chamados à ação.

A fé raciocinada que propõe o Espiritismo pressupõe quebra de paradigmas estabelecidos e enraizados, vindo nos trazer a sensação de liberdade de quem raciocina por si acerca de temas que antes eram impostos e, essa liberdade é fundamental para o exercício sincero e profundo do conceito de fé.

Esse divisor de águas de poder raciocinar a respeito de ‘sentirmos’ou ‘termos’ fé, faz toda a diferença no modo de vivenciá-la, o que reflete no modo de experenciar a vida, principalmente em momentos de expiações, aflições, obstáculos, etc.

O fato de sermos adeptos da doutrina espírita não nos dá a chancela da fé inabalável, pois isso é uma aquisição individual, sendo que o Espiritismo nos dá um norte a seguir, com informações esclarecedoras  para entender este e outros tantos importantes conceitos.

Então, vamos sentir a fé em nosso íntimo, sabendo que Deus, a inteligência suprema e fonte inesgotável de amor é o comandante de toda essa engrenagem perfeita a que todos estamos inseridos e, por isso, tenhamos a certeza de que nada é por acaso e tudo é para o nosso bem maior e evolução.

A fé racional, enfim, nos dá a base de confiança num porvir melhor trazendo tranquilidade e equilíbrio, mesmo em momentos de turbulência aos quais, muitas vezes, necessitamos passar.

Fernanda Nucci

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